quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A porta

Procuravam a esquecida chuva
de inverno em sua boca
de onde alguém soprara as
palavras de fora do poema

Como interrogassem sobre a...(?)
a mulher falando no escuro:
levitações elefante até-logo,
o sol na fronte não desaparecia.

Houve porém outro alguém
(deste só a cabeça
e o número da casa)
que se esqueceu entre o véu e o assalto.

(JOão Cabral de Melo Neto in Pedra do sono - 1940-1941)

2 comentários:

Tulle n jazz disse...

talez eu também tenha me esquecido entre o véu e o assalto.
ou talvez eu seja a mulher que fala no escuro.

Abelardo disse...

tomei vergonha na cara